Raízen (RAIZ4) retorna ao status de penny stock com forte queda após aquisição da Sumitomo e preocupações com dívida de R$ 53,4 bilhões

As ações da Raízen (RAIZ4) registraram uma queda expressiva nesta sessão, retornando ao patamar de penny stock ao serem negociadas abaixo de R$ 1. Por volta das 16h40, os papéis apresentavam recuo de 9,71%, cotados a R$ 0,93, em um movimento que reflete preocupações crescentes do mercado com a situação financeira e estratégica da companhia.
A volatilidade elevada que caracteriza o ativo nos últimos meses voltou a se manifestar, poucos dias após um rali relevante. O cenário atual combina fatores financeiros, decisões estratégicas e questões de governança que pressionam a percepção de risco dos investidores em relação à empresa.
Aquisição da participação da Sumitomo na Raízen Biomassa
Um dos principais catalisadores da queda foi a confirmação da conclusão da aquisição da participação da japonesa Sumitomo na Raízen Biomassa. Com a operação, a companhia passa a deter 100% da subsidiária, exercendo uma opção de venda prevista em contrato firmado em 2016.
Embora a transação fosse contratualmente prevista, seu timing ocorre em um momento particularmente delicado para a Raízen. A empresa deixa a posição de potencial vendedora para se tornar compradora de um ativo intensivo em capital, aumentando a percepção de pressão adicional sobre caixa e estrutura financeira no curto prazo. O valor não divulgado da operação e o contexto atual contribuíram para a reação negativa do mercado.
Endividamento recorde de R$ 53,4 bilhões pressiona balanço
A leitura mais cautelosa dos investidores está diretamente vinculada ao nível de alavancagem da empresa. No segundo trimestre da safra 2025/26, a dívida líquida da Raízen alcançou R$ 53,4 bilhões, representando um salto de 48,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esse quadro reforça o desafio da companhia em equilibrar investimentos, estrutura de capital e geração de caixa em um ambiente ainda pressionado por margens mais apertadas no setor de energia renovável e biocombustíveis. A ação tornou-se especialmente sensível a qualquer notícia que envolva novas obrigações financeiras ou atrasos no processo de desalavancagem.
Mudanças na governança ampliam incertezas
Além dos fatores financeiros, o mercado também digeriu mudanças na estrutura de governança corporativa. Na sexta-feira (30), a Raízen comunicou a renúncia de Brian Paul Eggleston ao cargo de membro do Conselho de Administração.
Para a vaga, a acionista Shell Brazil Holding BV indicou Jorrit Jan Witte Van Der Togt como novo conselheiro efetivo. Embora substituições em conselhos não sejam incomuns, o anúncio ocorre em um momento sensível para a empresa, contribuindo para o aumento da cautela entre investidores em um papel já sob pressão.
Perspectivas operacionais e análise do terceiro trimestre
Apesar do cenário desafiador, parte do mercado mantém uma visão construtiva para os resultados operacionais. O Banco Safra avalia que, no terceiro trimestre da safra 2025/26, os volumes de distribuição de combustíveis no Brasil e as vendas de açúcar ficaram acima das estimativas, compensando parcialmente o desempenho mais fraco do etanol.
Segundo analistas, o segmento de distribuição de combustíveis deve novamente ser o principal destaque do trimestre, sustentando a geração de resultados mesmo em um cenário mais desafiador para o negócio de renováveis. A moagem de cana-de-açúcar somou 10,6 milhões de toneladas no período, abaixo da estimativa inicial de 14,4 milhões de toneladas.
O Safra mantém recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de R$ 1,40, o que implica potencial de valorização de 30% frente às cotações atuais. No trimestre, a Raízen direcionou 56% da produção para etanol e 44% para açúcar, estratégia que reflete condições específicas de mercado.
No acumulado dos nove meses da safra 2026, o perfil segue mais equilibrado, com 53% da produção voltada ao açúcar e 47% ao etanol. Esse mix ajuda a suavizar parte da volatilidade operacional, mas não elimina as preocupações de curto prazo relacionadas ao balanço e à necessidade de reforço na disciplina financeira.
A Raízen permanece em um ponto de inflexão estratégico. De um lado, há expectativa de melhora operacional e valuation bastante descontado. De outro, o nível elevado de endividamento, a volatilidade dos resultados e decisões estratégicas em momentos sensíveis seguem pesando sobre a confiança do mercado e a trajetória das ações.
Fonte: Investidor 10
Raízen (RAIZ4) retorna ao status de penny stock com forte queda após aquisição da Sumitomo e preocupações com dívida de R$ 53,4 bilhões
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fevereiro 02, 2026
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